Em equilíbrio com a criança interior


De manhã tive uma dor muito intensa no meu maxilar e sabia que esse trabalho estava destruindo meus nervos. O dia todo eu estava preso a um monitor que olhava números em tempo real. Meu trabalho era manter esses números o mais alto possível e isso começou a me abalar e não porque eu tinha um chefe atrás de mim, mas porque eu sempre fui muito duro com qualquer tipo de responsabilidade que eu recebia, então eu fiz isso. Eu uso toda a minha criatividade e recursos para aumentar esses números. No começo foi divertido, como qualquer um que ama o seu trabalho adorava ficar na ponta da cadeira para ver como uma dinâmica atrás da outra estava funcionando, mas eventualmente começou a criar um vício e pouco a pouco eu estava pedindo mais e mais, até Cheguei ao ponto de acordar de manhã e ligar meu computador em casa para poder ver esses números mais uma vez. Depois de passar oito horas trabalhando no escritório, corri para casa para me conectar e continuar assistindo os números. Eu experimentei dinâmicas de manhã, à noite e até de madrugada para encontrar os horários perfeitos e sem perceber que estava terminando minha vida pessoal; Eu sabia que estava fazendo isso, mas não consegui parar. Agora eu tenho muito dinheiro, mas não tenho tempo para gastar esse dinheiro. Eu mal falava com a minha namorada e menos com os meus amigos, mas eu não me importava, porque se os números no monitor estivessem funcionando, eu estava bem, mas se os números caíssem eu estava em frangalhos. Então, a coisa continuou até aquela manhã, onde depois de acordar, eu abri meu celular com o aplicativo instalado para ver os números em tempo real e sentindo uma forte dor no maxilar, percebi que isso estava ficando fora de controle. Eu me analisei e percebi que minha performance não era mais a mesma. Já não tinha as melhores ideias, já não ria se não fosse por cortesia, não me exercitava mais e o pior de tudo é que já não leio e muito menos escrevo. Eu estava terminando minha vida e meus sonhos com um vício em números. Decidi que à tarde eu teria tempo para mim, mas quando a tarde chegou não consegui escapar para a tela com os números. O dia seguinte seria meu dia, mas fiz o mesmo, adiei. Foi assim que mais algumas semanas se passaram até que um sábado eu decidi que tinha que ir para algo que me ajudaria a colocar minha mente em algo diferente do trabalho. Eu saí e caminhei por um tempo até me deparar com uma loja de videogame. Eureka! Nada melhor do que um videogame para distrair a mente, porque você precisa colocar toda sua atenção nisso para completar os desafios que se tornam cada vez mais difíceis e viciantes. Entrei e pedi um console portátil com alguns de seus jogos mais viciantes. Eu paguei uma fortuna, mas na realidade não doeu, porque eu tinha trabalhado muito sem sair para me divertir que eu tinha guardado o suficiente.



Comecei com Pokémon e lembrei-me muito da minha infância, mas com gráficos melhores. Minha criança interior se deleitava a tal ponto que eu continuei tocando até três meses depois e depois continuei com Donkey Kong Country Returns. Em todo esse tempo a mudança na qualidade do meu trabalho foi incrível. Eu tinha mais energia e mais ideias. Continuei olhando para o monitor com números, mas não estava mais obcecado e eles sabem o que... Os números aumentaram muito mais desde que decidi relaxar um pouco.



Desde aquele dia e em todos os trabalhos que faço parte, sempre busco maneiras de integrar minha criança interior e torná-la parte de tudo, porque descobri que muito da minha força e criatividade vem dele. Ainda tenho muitos objetivos a alcançar e um enorme sonho para realizar e sei que, se encontrar o equilíbrio com ele, sei que não haverá impossíveis.



Uma criança sempre pode ensinar três coisas a um adulto: vestir feliz sem motivo, estar sempre ocupado com algo e saber exigir com toda a força o que ele quer... Paulo Coelho


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